Apresento minha lista pessoal de 141 FILMES NACIONAIS QUE ABORDAM TEMAS POLÍTICOS BRASILEIROS. São 68 anos de produção cinematográfica classificada em 13 grandes temas políticos.
A política não aparece como meio para ampliar liberdades ou como bem público, aparece antes como meio de dominação, e em larga medida, como dominação ilegítima e violenta.
O objetivo desta pesquisa é compreender qual é o acervo audiovisual que o Brasil acumulou sobre política nacional, quais temas políticos foram preferidos, e como foram abordados pelos cineastas. É claro que nem todas essas questões podem ser respondidas nessa fase das análises, em especial por que não sei quantos filmes mais podem existir. Continuo a busca. Depois que publiquei a primeira versão da lista, recebi vários e-mails com sugestões, e continuei a investigar, o que ampliou a lista de 121 para os atuais 141 filmes, e ampliou uma categoria. Acredito, entretanto, depois de seis meses buscando informações, que a esta altura a relação seja bastante representativa da filmografia política brasileira.
Minha preocupação, neste primeiro momento, não foi classificar os filmes pelo tempo de duração (curta ou longa metragem), nem pelas definições usuais de ficção, documentários, animação, experimentação, ou pelo gênero (comédia, drama, aventura, ação). Há outras formas de classificar, ainda. Mas não me pareceram úteis para os propósitos da pesquisa política. Daí a opção por uma categorização mais afim à teoria política do que à crítica cinematográfica.
Os temas preferidos dos diretores nacionais nesse período foram, pela ordem:
(1) a crítica ao regime autoritário de 1964-1984 (31 filmes), depois;
(2) as biografias políticas (22 filmes) e;
A política não aparece como meio para ampliar liberdades ou como bem público, aparece antes como meio de dominação, e em larga medida, como dominação ilegítima e violenta.
O objetivo desta pesquisa é compreender qual é o acervo audiovisual que o Brasil acumulou sobre política nacional, quais temas políticos foram preferidos, e como foram abordados pelos cineastas. É claro que nem todas essas questões podem ser respondidas nessa fase das análises, em especial por que não sei quantos filmes mais podem existir. Continuo a busca. Depois que publiquei a primeira versão da lista, recebi vários e-mails com sugestões, e continuei a investigar, o que ampliou a lista de 121 para os atuais 141 filmes, e ampliou uma categoria. Acredito, entretanto, depois de seis meses buscando informações, que a esta altura a relação seja bastante representativa da filmografia política brasileira.
Minha preocupação, neste primeiro momento, não foi classificar os filmes pelo tempo de duração (curta ou longa metragem), nem pelas definições usuais de ficção, documentários, animação, experimentação, ou pelo gênero (comédia, drama, aventura, ação). Há outras formas de classificar, ainda. Mas não me pareceram úteis para os propósitos da pesquisa política. Daí a opção por uma categorização mais afim à teoria política do que à crítica cinematográfica.
Os temas preferidos dos diretores nacionais nesse período foram, pela ordem:
(1) a crítica ao regime autoritário de 1964-1984 (31 filmes), depois;
(2) as biografias políticas (22 filmes) e;
(3) as guerras nas quais o Brasil se envolveu, rebeliões armadas regionais ou conflitos armados com motivos políticos (22 filmes), em seguida;
(4) Violência urbana, injustiça social, ausência de Estado (15 filmes).
Esses quatro amplos temas representam praticamente a metade de todos os filmes políticos já feitos nessas quase sete décadas.
O cinema político brasileiro olha, então, prioritariamente para a violência institucional de um período pós-1964, depois para os feitos de líderes e para as formas de violência armada com motivos políticos.
O tema predileto da cinematografia política brasileira, no entanto, tem sido a crítica ao autoritarismo. Representam praticamente um terço de todos os filmes. Se somarmos os filmes “críticos do autoritarismo” varguista e do regime de 1964, são 40 filmes. Mas esse número pode subir facilmente para 46 se for feita uma análise menos purista que a minha. “Lamarca”, por exemplo, é um filme que optei por classificar como biográfico, “O velho” e “O país dos Tenentes” também. Idem para “Os inconfidentes” e “Nada será como antes, nada?”. Enfim, como era de esperar, há filmes que podem estar em mais de uma categoria. Meu esforço, no entanto, foi de classificar o filme pelo seu objetivo principal. Lamarca, para mim, é uma biografia. O contexto do personagem é o da guerrilha, mas é a história de um personagem. Segui esse critério sempre que pude.
Esta não é uma filmografia que projeta elementos positivos da política nacional, não é um cinema político do elogio. Predominam em larga quantidade o "filme denúncia" de uma sociedade sem Estado, injusta e violenta. Há também "a guerra como política por outros meios", e abordagens sarcásticas em relação a práticas e costumes anti-republicanos e anti-democráticos dos políticos nacionais.
Em contrapartida, pouco se filmou a abertura democrática, os sonhos da geração dos anos 80, a reorganização partidária pós 1979 e líderes democráticos do Brasil. Há filmes sobre Teotônio Vilela e Tancredo Neves. Mas não sobre Ulisses Guimarães. Não se encontra nada sobre os republicanos do final do século XIX, nem sobre “os abolicionistas”. Há raros filmes sobre a Descoberta do Brasil e sobre a Independência, ainda feitos, lamentavelmente, no estilo “eu me ufano de meu país”, sem drama e poesia.
Quanto aos temas pouquissimo tratados, dá pra dizer que é insignificante a produção sobre as relações entre igreja e Estado, só há 4 filmes, e para isso devemos considerar um dos capítulos da excelente série Histórias do Poder e também temos de considerar a biografia de Dom Helder Câmara. Sobre instituições públicas (3 filmes) e sobre partidos políticos (1 filme). Não há nada sobre o processo constituinte de 1987 nem sobre a tremenda crise política de 1961 a 1963. É pena.
Parece haver uma preferência pela “revelação” da política como “guerra por outros meios”, do Brasil como uma “sociedade sem política” e da política como principalmente o resultado da “ação de líderes”.
É, sem dúvida, uma opção pelo realismo e pela denúncia direta, sem rodeios, com pouca inclinação para a esperança e para grandes sonhos civilizacionais. É pena. A arte pode ser mais do que denúncia, e o cinema, mais do que realismo.
(4) Violência urbana, injustiça social, ausência de Estado (15 filmes).
Esses quatro amplos temas representam praticamente a metade de todos os filmes políticos já feitos nessas quase sete décadas.
O cinema político brasileiro olha, então, prioritariamente para a violência institucional de um período pós-1964, depois para os feitos de líderes e para as formas de violência armada com motivos políticos.
O tema predileto da cinematografia política brasileira, no entanto, tem sido a crítica ao autoritarismo. Representam praticamente um terço de todos os filmes. Se somarmos os filmes “críticos do autoritarismo” varguista e do regime de 1964, são 40 filmes. Mas esse número pode subir facilmente para 46 se for feita uma análise menos purista que a minha. “Lamarca”, por exemplo, é um filme que optei por classificar como biográfico, “O velho” e “O país dos Tenentes” também. Idem para “Os inconfidentes” e “Nada será como antes, nada?”. Enfim, como era de esperar, há filmes que podem estar em mais de uma categoria. Meu esforço, no entanto, foi de classificar o filme pelo seu objetivo principal. Lamarca, para mim, é uma biografia. O contexto do personagem é o da guerrilha, mas é a história de um personagem. Segui esse critério sempre que pude.
Esta não é uma filmografia que projeta elementos positivos da política nacional, não é um cinema político do elogio. Predominam em larga quantidade o "filme denúncia" de uma sociedade sem Estado, injusta e violenta. Há também "a guerra como política por outros meios", e abordagens sarcásticas em relação a práticas e costumes anti-republicanos e anti-democráticos dos políticos nacionais.
Em contrapartida, pouco se filmou a abertura democrática, os sonhos da geração dos anos 80, a reorganização partidária pós 1979 e líderes democráticos do Brasil. Há filmes sobre Teotônio Vilela e Tancredo Neves. Mas não sobre Ulisses Guimarães. Não se encontra nada sobre os republicanos do final do século XIX, nem sobre “os abolicionistas”. Há raros filmes sobre a Descoberta do Brasil e sobre a Independência, ainda feitos, lamentavelmente, no estilo “eu me ufano de meu país”, sem drama e poesia.
Quanto aos temas pouquissimo tratados, dá pra dizer que é insignificante a produção sobre as relações entre igreja e Estado, só há 4 filmes, e para isso devemos considerar um dos capítulos da excelente série Histórias do Poder e também temos de considerar a biografia de Dom Helder Câmara. Sobre instituições públicas (3 filmes) e sobre partidos políticos (1 filme). Não há nada sobre o processo constituinte de 1987 nem sobre a tremenda crise política de 1961 a 1963. É pena.
Parece haver uma preferência pela “revelação” da política como “guerra por outros meios”, do Brasil como uma “sociedade sem política” e da política como principalmente o resultado da “ação de líderes”.
É, sem dúvida, uma opção pelo realismo e pela denúncia direta, sem rodeios, com pouca inclinação para a esperança e para grandes sonhos civilizacionais. É pena. A arte pode ser mais do que denúncia, e o cinema, mais do que realismo.
Cinema é cultura.
Bons filmes.
Coloco à disposição dos interessados uma lista completa que informa NOME DO FILME, RESUMO, DIREÇÃO, ANO DE LANÇAMENTO, DURAÇÃO, ELENCO PRINCIPAL de todos os filmes da lista abaixo.
Basta solicitar-me, pelo e-mail: carlosdir@uol.com.br
Basta solicitar-me, pelo e-mail: carlosdir@uol.com.br


3 comentários:
Adorei essa pesquisa, já vinha procurando uma lista nesse teor.
Parabéns.
Kelly
Caro Strapazzon, estou lisonjeado com tua visita ao meu blog. É enorme a satisfação, ainda mais sendo a visita de estudioso que conduz uma pesquisa das mais interessantes, além de importante para o conhecimento de nossa produção cinematográfica.
Estarei acrescentando em breve as informações passadas por ti. O blog fica aberto para novas informações que acrescentem sobre teu estudo.
Abraços, parabéns pela iniciativa.
Yerko Herrera.
www.musicapoesiabrasileira.blogspot.com
Belo trabalho, Strapazzon! Se me permite, vou distribuir para minhas listas esse endereço. Tenho certeza que o link já virou espaço de pesquisa.
Também preciso elogiar sua sensibilidade para as imagens. Não só nesse post, mas nos demais da página nós vemos cartazes, desenhos, fotos que vão além da informação. A preocupação estética valoriza seu trabalho!
Parabéns.
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